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A Copa do Mundo é nossa ♪ (e a conta climática também)

Foto do escritor: Vitor Balan
Vitor Balan
1 de jul.
2 min de leitura

A Copa do Mundo de 2026 já é a maior da história em número de partidas e seleções participantes e, segundo o estudo “Fifa’s Climate Blind Spot: The Men’s World Cup in a Warming World”, deverá ser também a maior em volume de emissões de CO₂e. A estimativa é de que o torneio gere aproximadamente 9,02 milhões de toneladas de CO₂e, quase o dobro da média histórica das Copas realizadas entre 2010 e 2022. O aumento está diretamente associado à expansão da competição, que passou de 32 para 48 seleções e de 64 para 104 partidas, além da maior distância média entre as cidades-sede. Afinal, os deslocamentos de avião para movimentar seleções, torcedores, equipes técnicas, imprensa e estruturas de operação devem responder por cerca de 7,72 milhões de toneladas de CO₂e, quase 86% do total estimado.


Apesar da realização do evento em três países, os Estados Unidos merecem um olhar específico porque concentram 78 das 104 partidas da Copa, cerca de 75% do total, enquanto Canadá e México recebem 13 jogos cada. A distância média em linha reta entre as 11 cidades-sede estadunidenses é de aproximadamente 2.270 km, superior à média das sedes da África do Sul em 2010 (~670 km), do Brasil em 2014 (~1.680 km) e da Rússia em 2018 (~1.100 km), e incomparavelmente maior que a do Catar em 2022 (~20–30 km). Considerando pares localizados nas extremidades geográficas das cidades-sede dos Estados Unidos, as distâncias em linha reta podem chegar a aproximadamente 4.400 km entre Seattle e Miami e a cerca de 4.170 km tanto entre Miami e San Francisco quanto entre Los Angeles e Boston.



Vale ressaltar que, desde janeiro deste ano, os Estados Unidos estão novamente fora do Acordo de Paris, o principal tratado internacional juridicamente vinculante sobre mudança do clima, atualmente com 194 Partes.

Esse dado é relevante porque compromissos externos, como acordos climáticos, pactos setoriais e metas públicas, funcionam como instrumentos de governança, pois criam parâmetros para orientar decisões, justificar escolhas e prestar contas. No ambiente corporativo, essa lógica é central para a agenda ESG. Uma empresa que apoia compromissos climáticos internacionais fortalece sua estratégia quando transforma esse apoio em critérios para investimentos, logística, cadeia de fornecedores, metas de redução de emissões e desenho de produtos ou serviços.


Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado à organização de megaeventos. Acordos globais não eliminam impactos por si só, mas ajudam a criar uma régua pública de ambição, responsabilidade e prestação de contas. Quando levados a sério, fortalecem agendas ESG porque conectam compromissos institucionais a decisões práticas de planejamento, financiamento e operação. Será que um país efetivamente comprometido com a agenda global de combate ao aquecimento aceitaria sediar uma competição desse porte sem exigir um desenho operacional menos dependente de longos deslocamentos aéreos?

 
 

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